O dia de hoje tinha dois objectivos com apenas um destino. Assistir ao concerto do OutJazz do Nelson Cascais e levar-me a fotografar um local onde costumava ir muitas vezes na minha infância, mas nunca visito na minha vida adulta.
Deixei o carro nas Amoreiras, partindo com destino ao Jardim da Estrela. Segui pela Ferreira Borges, onde a sombra das árvores que a percorrem serviu de bom descanso ao calor que se fazia sentir. Apesar de normalmente apenas vir a Campo de Ourique para algumas compras bem direccionadas, sempre achei que este é um bom bairro para se morar, com ruas que ainda vivem lado a lado com o comércio tradicional. Desta vez, e porque não era esse o objectivo, segui apenas por esta rua, apreciando os pormenores dos azulejos e que enfeitam ou preenchem as fachadas dos prédios, a par com as janelas e varandas de ferro forjado..
No final da Ferreira Borges, virei à esquerda com destino Rua da Estrela e ao jardim com o mesmo nome.
Ao entrar no jardim através das suas portas de ferro, o cheiro e gargalhadas de crianças que me rodeou fez saltar de imediato as memórias das manhãs e finais de tarde ali passados a brincar. Frequentei o infantário e a primária no Jardim-Escola João de Deus, ali mesmo ao lado. Por vezes, lá tínhamos um descanso das aulas e da cartilha que nos ensinava a ler e tínhamos direito a uma manhã no jardim onde os baloiços eram o nosso mundo dentro de um jardim que tanto tem para oferecer, mas que nós tínhamos a capacidade para ver. Por vezes à tarde, quando os meus avós e não a carrinha me iam buscar, os baloiços eram substituídos por passeios através do jardim no caminho para o autocarro que nos iria levar a casa. Estes passeios eram normalmente acompanhados por um super-maxi ou em dia de festa por um corneto. Hoje foi acompanhado por um Ben&Jerry. Sinais do tempo que passou.
O Jardim da Estrela foi construído em meados do século XIX, com donativos no valor de "cinco contos de reis" do Barão de Barcelinhos e Joaquim Manuel Monteiro, futuro Conde da Estrela. Em 1852 foi inaugurado, brindando Lisboa com características românticas de um parque à Inglesa.
Entrado pela porta da Rua da Estrela, um pouco mais à frente damo-nos logo de caras com o coreto. Este coreto construído em ferro forjado verde é o mais antigo de Lisboa e foi transferido da Avenida da Liberdade em 1936. Nessa altura o coreto era palco aos Domingos de concertos por uma banda regimental, que atraía em sua volta curiosos que davam ao jardim um ar festivo.
Hoje, e porque era dia de concerto o ambiente era semelhante. O concerto decorria no coreto, desta vez protagonizado por uma banda Jazz e viam-se pessoas sentadas na relva e nos puffes a conversar, crianças a brincar nos baloiços, mais modernos que substituíram aqueles em que tanta vez brinquei, enquanto que outros namoravam em recantos mais isolados e muitos passeavam embalados pelos acordes do saxofone nos envolviam por todo o jardim.
Hoje, e porque era dia de concerto o ambiente era semelhante. O concerto decorria no coreto, desta vez protagonizado por uma banda Jazz e viam-se pessoas sentadas na relva e nos puffes a conversar, crianças a brincar nos baloiços, mais modernos que substituíram aqueles em que tanta vez brinquei, enquanto que outros namoravam em recantos mais isolados e muitos passeavam embalados pelos acordes do saxofone nos envolviam por todo o jardim.
As mais de 800 árvores que populam este jardim, criam sombras que permitem aos seus visitantes abstraírem-se do mundo e quem sabe ir buscar um livro à biblioteca do Jardim, passando ali algumas horas de paz.
A tarde acabou sentada numa gigante raiz de árvore junto a um dos vários lagos do jardim. Aqui alguns patos distraím-se a fazer pose para a máquina, enquanto eu aproveitava para matar saudades, não só de um local que visito muito pouco, mas de uma amiga que não vejo tanto quanto devia.











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